Discussões em fóruns indicam insatisfação crescente com limitações e desempenho da plataforma, levando usuários a migrar para ferramentas como Notion, Obsidian e OneNote
Publicado em 27 de julho de 2020 — por Júlia Freitas | Tech Negócios
De pioneiro a pressionado: o declínio silencioso de um clássico da produtividade digital
Lançado em 2008, o Evernote foi por muitos anos sinônimo de organização pessoal digital. Reconhecido pela capacidade de capturar ideias, salvar arquivos, estruturar anotações e sincronizar dispositivos, o aplicativo foi pioneiro no conceito de “segundo cérebro digital”. Mas em julho de 2020, fóruns como Reddit, Hacker News e grupos no LinkedIn começaram a registrar um volume crescente de relatos de usuários insatisfeitos migrando para outras plataformas.
Entre os principais motivos citados estão: instabilidade na sincronização, lentidão no carregamento de notas, falhas em dispositivos móveis e a sensação de estagnação no desenvolvimento do produto. Em meio a esse cenário, soluções como Notion, Obsidian, Roam Research e até o OneNote da Microsoft passaram a ser adotadas por profissionais, estudantes e criadores de conteúdo que buscavam mais flexibilidade e melhor performance.
Falta de inovação e decisões controversas contribuíram para a queda
O Evernote passou por mudanças importantes nos últimos anos. A startup, que já foi avaliada em mais de US$ 1 bilhão, enfrentou dificuldades financeiras, mudanças na liderança e uma série de decisões controversas — como a limitação do plano gratuito a apenas dois dispositivos simultâneos e a reestruturação do sistema de assinatura em 2016.
Ainda que a empresa tenha tentado reposicionar seu produto como uma plataforma de produtividade completa, a base de usuários mais exigente começou a migrar silenciosamente para soluções que oferecem integração nativa com bancos de dados, links bidirecionais, markdown, estrutura em blocos e personalização — recursos considerados indispensáveis por quem organiza volumes maiores de informação.
Concorrência acirrada no mercado de notas e produtividade pessoal
O mercado de ferramentas de anotação viveu uma explosão de inovação a partir de 2019. Softwares como Notion ganharam tração por permitir construir wikis, bancos de dados e dashboards visuais com interface limpa e usabilidade moderna. Já o Obsidian conquistou fãs ao oferecer total controle local das notas em markdown e estrutura de links internos entre ideias, criando um sistema de pensamento não linear.
Essas soluções passaram a atrair ex-usuários do Evernote justamente por oferecerem mais velocidade, organização por contexto e conectividade com outras ferramentas do ecossistema digital.
Evernote tenta reagir, mas enfrenta um reposicionamento difícil
Em 2020, a empresa lançou uma nova versão do aplicativo com foco em maior estabilidade e novo design. No entanto, as críticas continuam sendo frequentes em fóruns especializados. A percepção geral é que o Evernote “perdeu o timing” da revolução das ferramentas modulares de produtividade e enfrenta hoje o desafio de se reinventar em um cenário muito mais competitivo.
O declínio do Evernote mostra que, no universo das ferramentas de produtividade, não basta ser o primeiro — é preciso ser o mais adaptável.
Dado Tech Negócios — Análise de comunidades de usuários, julho de 2020


