Relatório global aponta digitalização como prioridade estratégica e projeta avanço constante em nuvem, automação, dados e inteligência artificial
A tecnologia sai da crise como prioridade, não como suporte
Se antes da pandemia a transformação digital era considerada um diferencial competitivo, em 2020 ela passou a ser condição básica de continuidade operacional para empresas de todos os setores. Essa mudança de mentalidade foi traduzida em números: segundo o relatório “Worldwide ICT Spending Guide” da IDC, os investimentos globais em tecnologia da informação deverão crescer, em média, 10,4% ao ano até 2027.
O estudo, divulgado em julho de 2020, aponta uma aceleração nos aportes em infraestrutura digital, plataformas de colaboração, automação de processos, cibersegurança e soluções baseadas em nuvem, com foco em escalabilidade, eficiência operacional e adaptação contínua a cenários imprevisíveis.
O crescimento sustentado tem três vetores: dados, nuvem e inteligência artificial
A tendência de crescimento é puxada por três frentes principais. A primeira delas é o investimento em nuvem (cloud), que deverá representar mais de 40% do orçamento de TI global nos próximos anos. A busca por elasticidade, resiliência e redução de custos com data centers tradicionais levou empresas a migrarem rapidamente suas infraestruturas.
A segunda é o uso intensivo de dados e analytics. Com mais clientes e operações no digital, as empresas passaram a investir em ferramentas capazes de capturar, organizar e interpretar grandes volumes de dados para tomar decisões em tempo real. Plataformas como Power BI, Tableau, BigQuery, Snowflake e Looker passaram a fazer parte do cotidiano de médias e grandes empresas.
Por fim, o relatório destaca o avanço da inteligência artificial aplicada ao negócio, especialmente no atendimento ao cliente, automação de fluxos internos, marketing preditivo e detecção de fraudes. A estimativa é que o mercado global de IA ultrapasse US$ 300 bilhões até 2027.
A tecnologia como vetor de mobilidade social
A proposta das bolsas vai além do incentivo acadêmico: ela representa também uma oportunidade concreta de inclusão socioeconômica por meio da educação tecnológica. Os R$ 1.000 mensais permitem que estudantes de baixa renda se dediquem integralmente aos estudos, sem precisar abrir mão da formação para sustentar a família.
Segundo dados do próprio governo estadual, mais de 3.500 inscrições foram recebidas nos primeiros dias do edital, demonstrando o apetite da juventude local por formação em áreas digitais e a necessidade latente de iniciativas estruturadas de capacitação.
Setores que mais vão puxar os investimentos
Os segmentos com maior projeção de crescimento em gastos com tecnologia incluem:
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Serviços financeiros: com digitalização acelerada, open banking e maior demanda por segurança de dados;
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Indústria: por meio da adoção de IoT, robótica e machine learning para automação de chão de fábrica;
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Educação: impulsionada pelo ensino a distância e plataformas adaptativas;
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Saúde: com foco em telemedicina, prontuários digitais e integração de sistemas hospitalares.
Além disso, empresas de médio porte e governos locais também aparecem como agentes ativos nessa nova onda de investimentos, criando oportunidades de mercado antes restritas às grandes corporações.
O Brasil acompanha, mas ainda enfrenta desafios estruturais
Embora o movimento global seja claro, o Brasil ainda enfrenta gargalos como infraestrutura de conectividade desigual, escassez de mão de obra especializada e instabilidade regulatória. Mesmo assim, o país segue entre os dez maiores mercados consumidores de tecnologia da informação, com destaque para fintechs, edtechs e healthtechs.
Para especialistas da IDC, o momento é favorável para revisar modelos de negócio, acelerar projetos de automação e criar ambientes de TI mais adaptáveis — especialmente em tempos onde mudanças repentinas se tornaram regra, e não exceção.
O volume global de investimentos em TI deve ultrapassar US$ 5 trilhões até 2027, segundo a IDC. Desse total, mais de 60% será destinado a soluções que envolvem nuvem, automação e inteligência artificial.
Dado Tech Negócios


