Projeto de Lei propõe marco legal para uso de inteligência artificial no Brasil

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Texto em tramitação na Câmara estabelece princípios e instrumentos de governança para a IA, com foco em ética, transparência e segurança jurídica

Publicado em 20 de julho de 2020 — por Consuelo Martins | Tech Negócios

Primeiro passo para regulamentar o futuro digital do país

Em julho de 2020, a Câmara dos Deputados começou a discutir o Projeto de Lei 21/2020, que propõe a criação do marco legal da inteligência artificial no Brasil. A proposta, de autoria do deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE), busca estabelecer diretrizes para o desenvolvimento e a aplicação da IA de forma segura, ética e alinhada aos direitos fundamentais.

A proposta surge em um contexto de crescimento acelerado da tecnologia no país, especialmente em setores como saúde, serviços financeiros, logística e atendimento ao consumidor. O objetivo da lei é trazer segurança jurídica para empresas, startups e instituições que desenvolvem ou utilizam soluções baseadas em IA.

Princípios e fundamentos do projeto

O texto do projeto de lei propõe uma série de princípios que devem nortear o uso da inteligência artificial no Brasil:

  • Respeito à dignidade humana e aos direitos fundamentais;
  • Transparência nos critérios adotados por sistemas automatizados;
  • Segurança dos dados e dos processos automatizados;
  • Responsabilização por danos causados por decisões algorítmicas;
  • Promoção da inovação e da competitividade econômica com responsabilidade.

O texto também prevê a criação de um órgão federal de supervisão e coordenação das políticas públicas de IA, responsável por elaborar diretrizes técnicas, promover a pesquisa e acompanhar o uso de algoritmos por entes públicos e privados.

Impactos para empresas e startups

Para o setor privado, o marco legal da IA pode trazer mais clareza sobre o que é permitido e quais práticas devem ser evitadas. Especialistas apontam que uma regulamentação equilibrada pode ajudar a evitar judicializações desnecessárias e atrair mais investimentos estrangeiros, especialmente de empresas que exigem segurança jurídica antes de atuar em novos mercados.

Startups e desenvolvedores de IA também poderão se beneficiar da criação de parâmetros claros para testes e validação de modelos algorítmicos, especialmente em setores regulados como saúde, transporte e finanças.

Discussão pública e próximos passos

O PL 21/2020 foi recebido com críticas e sugestões por parte da sociedade civil e do setor empresarial. Uma das preocupações é evitar uma regulamentação excessiva que possa frear a inovação em um momento em que o Brasil começa a consolidar seu ecossistema de IA.

O texto ainda passará por debates em comissões técnicas, audiências públicas e poderá receber emendas antes de ir à votação no plenário. A expectativa é que o marco legal sirva como uma base

Consuelo Martins
Consuelo Martins
Formada em Sistemas de Informação, Consuelo atua como consultora de tecnologia e acompanha o mercado há mais de uma década. Escreve sobre inteligência artificial, segurança da informação e tendências em automação. Acredita que tecnologia deve ser ferramenta de inclusão e alavanca para negócios mais inteligentes, seguros e escaláveis.

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